sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

bons sonhos

Após uns poucos minutos da viagem de carro com a sua tia tinham chegado á festa. Uma coisa banal ia tornar-se muito especial. Matilde decidira explorar a festa sozinha e a sua tia logo arranjou companhia. Ali, Matilde sentia-se tão segura e livre. Poderia fazer o que quisesse e andar por onde bem lhe apetecesse que nada lhe aconteceria. Começou por visitar as pequenas barraquinhas que existiam por lá e as memórias das viagens aos paises tropicais tinham voltado. Comprou uns quantos acessorios mas ainda assim nao estava decidida a vir se embora. Os carrosseis e todas as outras maquinarias despertavam a sua atençao, e ela decidiu gastar mais uns trocos e divertir-se. Estranho é, quando se dirigia para um dos tantos carrosseis, os seus olhos eram agora tapados por alguem. Pensando ser a tua tia reagiu muito bem, mas não. Não era a sua tia e muito menos um desconhecido, pelo menos neste momento da historia. O seu espanto foi enorme ao olhar para trás. Era Martim. Desta vez estava com um estilo mais arranjado e como sempre, bonito. Ambos sorriram de felicidade e passaram algum tempo juntos. Andaram nos carrosseis todos da festa e madrugada dentro decidiram ir para a praia. Martim comprou um gelado para cada um e decidiu levar Matilde para um passeio. Após andarem imenso e já terem falado de imensas coisas, chegavam finalmente á praia dos desejos, e por conseguinte á casa de Matilde. Ela decidiu avisar a sua tia, nao fosse ela ficar preocupada e então mandou lhe uma mensagem : "Tia, andando para perto de casa, arranjei companhia! Não fiques preocupada, qualquer coisa que precisares liga! Beijos".

Juntos e sempre muito bem dispostos desceram a escadaria central da praia. Apesar da sua beleza era uma praia muito pouco frequentada. Poucos sabiam apreciar a sua beleza. Mas aqueles dois sabiam onde estavam e porque lá estavam. Correram pela praia como duas crianças felizes e ao fim já estavam estafados. Não corria nenhuma arajem por ali. Estava uma típica noite de verão Algarvia, e era uma noite perfeita. Lua cheia a reflectir no mar sem ondas, todas as estrelas estavam brilhantes como nunca. Cansados, deitaram se na areia e falaram mais um pouco:

- Matilde, tenho de te confessar uma coisa..
- Então, que se passa?
- Eu tenho de dizer-te que, eu não sei mas tu tens qualquer coisa que me deixa enfeitiçado. É super estranho.. Não sei explicar..

Matilde paralisou. Afinal o Martim sentiu se como ela se tinha sentido. Ficou sem palavras possiveis. Mas aquilo não poderia passar de um sentimento de amizade, não poderia magoar-se outra vez e afinal de contas, todos os rapazes eram iguais. Não se deixou levar pela conversa e apenas respondeu:

- Pois, é estranho. Eu acho que sou uma rapariga igual a tantas outras. - parou por momentos e olhou para o seu relógio.- bem, já se está a fazer tarde, acompanhas-me a casa?
- Claro que acompanho.

Juntos foram até casa da tia Gabi, e despediram-se apressadamente com dois beijos na cara.

-Matilde amanha vais ao P-D-S? - perguntou desesperado
- Sim Martim, devo ir, vemonos amanha! - Disse Mats fechando a porta.

Isto não podia ser igual ao que sempre tinha sido. Desta vez nao se poderia apaixonar, tinha de o ver só como amigo. Apenas amigo. Matilde subiu as escadas e dirigiu-se ao quarto. Vestiu o seu pijama e deitou-se. O dia tinha sido longo e amanha haveria muitas mais coisas para fazer.

azul e branco, M

Depois pensar, e dar imensas voltas ao seu pensamento, Matilde deixou as ideias de lado e desceu para jantar. Ajudou a tia a colocar as coisas sobre a mesa e desfrutou do seu jantar, mesmo estando ainda um bocadinho aluada com tudo. Mas o que ela não sabia é que nessa mesma noite havia uma festa, onde toda a gente da localidade iria estar. Era do género de uma festa popular, daquelas com imensos carrosseis e tudo mais que fascina toda a gente. Matilde ao saber da mesma, não conseguiu esconder a felicidade e de imediato se aprontou para a grande festa. Estava simples, mas muito bonita. Vestia um par de calças de ganga, um pouco rasgadas como manda a moda, uma camisola azul escura e branca ao estilo étnico e calçava umas sandálias natura. O seu longo cabelo loiro estava apanhado com uma enorme trança e deixava escapar um elástico com uma pequena letra, M. Sem maquilhagem e 100 % ao natural lá desceu as escadas vagarosamente. Encontrou a sua tia quase igual a ela e mal se viram, soltaram umas poucas gargalhadas. Em abraço mutuo, saíram de casa.



Faltava pouco para a festa e ela nem saberia o que poderia acontecer numa "simples" festa.

Miragem?

Após inesperado episódio, Matilde refugiou se em casa. Entrou sem dizer nada, subiu as escadas e não disse uma unica palavra. Deitou se sobre a sua cama e pensou se aquele rapaz que tinha visto hoje na praia era mesmo real ou se era fruto da sua imaginaçao. Realmente Martim era um rapaz fora do comum, e Matilde tinha ficado logo enfeitiçada, mas não queria dizer nada a ninguém. Seria o seu segredo.