Ao ouvir o soar da campainha Matilde quase que correu para a porta. A casa estava deserta, mas isso nao a deixava assustada. Numa voz suave ouviu do outro lado da porta:
- Abre Matilde, sou eu o Martim.
A porta abriu-se e os olhos dos dois fizeram logo faísca.
- Bem Matilde, estás.. - exitou- linda..! - sorriu.
- Oh Martim, que exagerado! Tu tambem estás lindo.. - e corou - entra, senta te ai na sala.
Martim entrou, algo preocupado.
- Hum, a tua tia nao está cá hoje?
-Nao.. ao que parece uma das novas conquistas dela convidou-a para jantar e ela "nao podia recusar".
Entraram para a sala onde se sentaram e ficaram em silencio durante algum tempo. Nenhum deles era capaz de interroper aquele silencio profundo. Apenas o barulho da televisao detia um pouco daquela atmosfera silenciosa.
Já se fazia tarde e mesmo assim eram capazes de passar horas naquele silencio aterrador. Matilde tomou o primeiro passo.
-E que tal se fossemos jantar? daqui a bocado fica tarde e nao pode ser nao é..
- Boa ideia, vamos.
Levantaram-se os dois ao mesmo tempo, como com a telepatia que existia entre eles. Dirigiram-se á cozinha, onde estava um mesa muito bem preparada. Sentara-se frente a frente, e aquela cozinha dava um ar romantico ás coisas. Estava tudo tao bem decorado, tudo tao bem preparado como por profissionais. A tia Gi esmerava-se ao máximo, e conseguia. Durante o jantar, mal falaram, trocaram apenas vagos e envergonhados olhares. Os sorrisos escaceavam, talvez com vergonha ou algo estupido. Depois de uma Lasanha Verde, á moda da tia Gi, uma sobremesa fazia crescer agua na boca. A tia Gi queria que mesmo sem ela lá, tudo fosse especial e do melhor, por isso deixou uma tarte de morango. Deliciavam-se a cada pedaço da mesma que metiam na boca. Estava optima.
- Bem martim, agora que já acabamos, vamos lá a cima, quero mostrar te as fotografias de Lisboa e de todas as minhas viagens. - pegou na mao dele e subiu as escadas com a felicidade de uma criança.
Entraram no quarto e Matilde logo se preocupou em acender os candeeiros que tinha por lá. O ambiente estava fantastico, mesmo tipico de verao. Sentou se na cama e ligou o portatil. Martim ficou á porta parado a observar todos os seus gestos. Preenchia lhe o olhar ver Matilde feliz, e nao exitou em sentar-se a seu lado.
Matilde resolvera abrir (finalmente) o seu coraçao ao amor, e esquecer tudo o resto. Ela tinha a certeza que Martim nao era apenas um vulgar rapaz, mas sim um rapaz que a fazia sentir tudo aquilo que ela nunca tinha sentido antes.
Estavam agora sentados lado a lado, onde observavam fotografias de viagens e Matilde contava um pouco das historias. Martim interessava-se por conhecer mais de matilde, e ela adorava mostrar lhe e contar lhe as suas historias. Ela pediu a Martim, que lhe contasse um pouco mais dele, e das suas aventuras.
- Podemos ir até á varanda? adoro conversar ao luar e a ouvir o som das ondas..
Matilde acenou lhe que sim com a cabeça, e ele abriu a janela, e sentou se no baloiço que havia na varanda. Ela por impulso, seguiu lhe os passos e sentou-se a seu lado.
Estava uma noite linda. O ceu estava estrelado e o mar tao calmo como nunca antes se vira, e a lua, a lua estava cheia, bem amarela lá no alto. Uma noite perfeita.
Martim iniciou as suas aventuras, e os risos entre os dois eram constantes. Subitamente, o silencio voltou, e desta vez Martim quis que ele nao existisse.
- Sabes Mati.. Tu és muito especial e..
- Sim..
- E nao consigo ter palavras, tu és espectacular, fazes me sentir muito bem.. - Enquanto falava, ia aproximando a sua boca da boca de Matilde. Matilde apenas se deixou levar, e o momento ansiado aconteceu. Finalmnte o primeiro beijo. Cada qual estava profundamente feliz com aquele momento, era notorio. Apenas o mar, a lua e as estrelas, tinham sido as testemunhas do inicio daquele amor. Eles nao queriam apressar as coisas, nao queriam ainda compromissos, mas havia um desejo de serem mais que amigos, eles ja o tinham provado depois daquele beijo.
Deixaram-se ficar ali deitados no baloiço, namoriscando um com o outro até darem as 12 badaladas. Matilde sentiu-se a cinderela, invertida, pois seria martim a ir embora, e nao ela. Acompanhou-o á porta, e despediu se dele com um beijo apaixonado. Sorriu e disse para quando ele chegar a casa, para mandar uma mensagem. Fechou a porta. Subiu as escadas calmamente, fascinada com tudo o que se tinha passado. Se o dia tinha sido longo, a noite dava pano para mangas. Deitou-se sobre a cama e o seu telemovel tocou- era Martim. A mensagem dele era simplesmente perfeita.
"Princesa, adorei a noite (e o dia) de hoje. Es muito especial como já disse e adorei tudo, foi perfeito. Amanha á hora de almoço passo aí para me ires ver surfar. Beijos enormes, adoro-te miuda mais perfeita do universo".
Derreteu-se completamente. Vestiu o pijama rapidamente e deitou-se. Apagou a luz e aconchegou os lençois. Excusado será dizer que adormeceu com um sorriso estupendo. O amor acontece mesmo.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
será que hoje é o dia?
Em breves minutos, Martim desceu a rua em direcçao a sua casa. Sentia-se confiante, com vontade de tentar aquilo que ja queria fazer desde a primeira vez que viu Matilde. Seria hoje, que talvez tivesse a oportunidade dos seus sonhos, e tentar com que o primeiro beijo entre eles acontecesse hoje, como por magia. Mas, nao seria andar rapido demais com as coisas? Nao seria já querer dar um passo muito grande? Pensou. E nesse periodo pensativo, que o levava até casa, foi repensando e repensando umas quantas e quantas vezes, sobre se deveria, ou nao, tomar o primeiro passo. Um arrepio percorreu lhe a espinha. Os nervos, ocupavam lhe agora as veias. Tinha de ser hoje. Ele queria-o e depois de um dia como aquele, nao importava mais nada. Nem o medo de que Matilde o tentasse deter de um acto daqueles. Martim sentia uma confiança que nunca antes sentira. Sentira-se invadido por ela, que o enloquecia. Dali a uns metros, já se avistava a sua casa. Era uma casa simples, mas bonita. Apenas de um andar, aquela moradia rasteira, era perfeita. Ao entrar pelo grande portao verde havia um caminho de pedra a percorrer. Ao fundo, havia uma piscina enorme, quase sempre abandonada, porque Martim preferia mil vezes as ondas do mar, do que a calma da piscina. Um relvado verde, chamativo, rodeava toda a moradia. Ao lado da piscina, uma mesa pequena com um guarda sol em cima. Era ali que tomavam o pequeno almoço em familia, todas as manhas. Em frente á piscina, era possivel avistar uma cama de rede creme, que ficava ligeiramente sobre a janela. As paredes eram ligeiramente liláses suaves, que contrastava com as portadas brancas que havia em cada janela. A porta era branca, tambem. Martim entrou em casa, e a sua mae, Helena, logo o abraçou com felicidade. O seu pai, Joao, estava sentado no sofá de pele escura, que existia na sala. Lia o jornal enquanto ia ouvindo as noticias na televisao. Para Martim já era habitual o seu pai nao mostrar grande afectividade quando ele entrava em casa, por isso ja nao se importava e ao entrar na sala mandava um "Boa noite" ao qual nem sequer era correspondido. Isso deixava o triste, mas Serafim, o seu grande companheiro, um Labrador Retrivier, nunca o deixava entristecer pois era um cao muito muito alegre. Adorava o seu dono e era incapaz de o deixar triste. Percebia-o melhor que os seus amigos. Martim entrou no seu quarto, escolheu delicadamete o que ia vestir. Nada poderia falhar naquela noite, tinha de ser tudo perfeito, e ele queria estar á altura, queria impressionar Matilde logo á primeira vista. Depois de uma escolha a fundo, um par de calças de ganga e um polo simples. Foi tomar o seu duche e tentou despachar-se.
Já Matilde, entrou de rompante na cozinha com os olhos muito brilhantes e sorriu. A tia percebeu a sua felicidade, e o motivo dela. Era evidente que a sua pequena sobrinha estava apaixonada, e ao que tudo indicava, correspondida. Matilde subiu as escadas e procurou algo para mudar de roupa, mas estava numa tremenda indecisao: vestidos, calças, saias, calçoes..! Que confusao tremenda! Optou por um vestido branco com flores turquesa e umas havainas bem simples. Afinal de contas era "apenas" um jantar. Em poucos minutos estava vestida para o seu simples jantar. A tia Gi subiu ao quarto, bateu á porta e esperou uma resposta:
- Sim?
- Mats, esqueci me de te avisar que hoje nao vou jantar cá em casa, o Rafael convidou me e.. nao pude nao aceitar. Nao te importas sobrinha querida? - disse Gi sorrindo de orelha a orelha tentando fazer um ar convincente.
- Oh tia, claro que nao me importo.. Fizeste o meu jantar? O Martim vem cá, nao te esquecas.
- Eu sei meu amor, nao te preocupes, esta no forno, é so tirares e servires. Diverte-te e porta te bem!
-Obrigada tia, tu tambem! -proferiu Matilde com o seu melhor sorriso.
Pegou na escova, penteou o cabelo, e desceu as escadas em direcçao á sala de estar onde esperou.
Martim estava agora a sair de casa com a mesma segurança de á pouco. Seria hoje que iria ser o grande dia? Talvez. Em passos velozes e largos chegou rapidamente a casa de Matilde e tocou á campainha. A calma deu lugar a um enorme nervosismo..
Já Matilde, entrou de rompante na cozinha com os olhos muito brilhantes e sorriu. A tia percebeu a sua felicidade, e o motivo dela. Era evidente que a sua pequena sobrinha estava apaixonada, e ao que tudo indicava, correspondida. Matilde subiu as escadas e procurou algo para mudar de roupa, mas estava numa tremenda indecisao: vestidos, calças, saias, calçoes..! Que confusao tremenda! Optou por um vestido branco com flores turquesa e umas havainas bem simples. Afinal de contas era "apenas" um jantar. Em poucos minutos estava vestida para o seu simples jantar. A tia Gi subiu ao quarto, bateu á porta e esperou uma resposta:
- Sim?
- Mats, esqueci me de te avisar que hoje nao vou jantar cá em casa, o Rafael convidou me e.. nao pude nao aceitar. Nao te importas sobrinha querida? - disse Gi sorrindo de orelha a orelha tentando fazer um ar convincente.
- Oh tia, claro que nao me importo.. Fizeste o meu jantar? O Martim vem cá, nao te esquecas.
- Eu sei meu amor, nao te preocupes, esta no forno, é so tirares e servires. Diverte-te e porta te bem!
-Obrigada tia, tu tambem! -proferiu Matilde com o seu melhor sorriso.
Pegou na escova, penteou o cabelo, e desceu as escadas em direcçao á sala de estar onde esperou.
Martim estava agora a sair de casa com a mesma segurança de á pouco. Seria hoje que iria ser o grande dia? Talvez. Em passos velozes e largos chegou rapidamente a casa de Matilde e tocou á campainha. A calma deu lugar a um enorme nervosismo..
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