Em breves minutos, Martim desceu a rua em direcçao a sua casa. Sentia-se confiante, com vontade de tentar aquilo que ja queria fazer desde a primeira vez que viu Matilde. Seria hoje, que talvez tivesse a oportunidade dos seus sonhos, e tentar com que o primeiro beijo entre eles acontecesse hoje, como por magia. Mas, nao seria andar rapido demais com as coisas? Nao seria já querer dar um passo muito grande? Pensou. E nesse periodo pensativo, que o levava até casa, foi repensando e repensando umas quantas e quantas vezes, sobre se deveria, ou nao, tomar o primeiro passo. Um arrepio percorreu lhe a espinha. Os nervos, ocupavam lhe agora as veias. Tinha de ser hoje. Ele queria-o e depois de um dia como aquele, nao importava mais nada. Nem o medo de que Matilde o tentasse deter de um acto daqueles. Martim sentia uma confiança que nunca antes sentira. Sentira-se invadido por ela, que o enloquecia. Dali a uns metros, já se avistava a sua casa. Era uma casa simples, mas bonita. Apenas de um andar, aquela moradia rasteira, era perfeita. Ao entrar pelo grande portao verde havia um caminho de pedra a percorrer. Ao fundo, havia uma piscina enorme, quase sempre abandonada, porque Martim preferia mil vezes as ondas do mar, do que a calma da piscina. Um relvado verde, chamativo, rodeava toda a moradia. Ao lado da piscina, uma mesa pequena com um guarda sol em cima. Era ali que tomavam o pequeno almoço em familia, todas as manhas. Em frente á piscina, era possivel avistar uma cama de rede creme, que ficava ligeiramente sobre a janela. As paredes eram ligeiramente liláses suaves, que contrastava com as portadas brancas que havia em cada janela. A porta era branca, tambem. Martim entrou em casa, e a sua mae, Helena, logo o abraçou com felicidade. O seu pai, Joao, estava sentado no sofá de pele escura, que existia na sala. Lia o jornal enquanto ia ouvindo as noticias na televisao. Para Martim já era habitual o seu pai nao mostrar grande afectividade quando ele entrava em casa, por isso ja nao se importava e ao entrar na sala mandava um "Boa noite" ao qual nem sequer era correspondido. Isso deixava o triste, mas Serafim, o seu grande companheiro, um Labrador Retrivier, nunca o deixava entristecer pois era um cao muito muito alegre. Adorava o seu dono e era incapaz de o deixar triste. Percebia-o melhor que os seus amigos. Martim entrou no seu quarto, escolheu delicadamete o que ia vestir. Nada poderia falhar naquela noite, tinha de ser tudo perfeito, e ele queria estar á altura, queria impressionar Matilde logo á primeira vista. Depois de uma escolha a fundo, um par de calças de ganga e um polo simples. Foi tomar o seu duche e tentou despachar-se.
Já Matilde, entrou de rompante na cozinha com os olhos muito brilhantes e sorriu. A tia percebeu a sua felicidade, e o motivo dela. Era evidente que a sua pequena sobrinha estava apaixonada, e ao que tudo indicava, correspondida. Matilde subiu as escadas e procurou algo para mudar de roupa, mas estava numa tremenda indecisao: vestidos, calças, saias, calçoes..! Que confusao tremenda! Optou por um vestido branco com flores turquesa e umas havainas bem simples. Afinal de contas era "apenas" um jantar. Em poucos minutos estava vestida para o seu simples jantar. A tia Gi subiu ao quarto, bateu á porta e esperou uma resposta:
- Sim?
- Mats, esqueci me de te avisar que hoje nao vou jantar cá em casa, o Rafael convidou me e.. nao pude nao aceitar. Nao te importas sobrinha querida? - disse Gi sorrindo de orelha a orelha tentando fazer um ar convincente.
- Oh tia, claro que nao me importo.. Fizeste o meu jantar? O Martim vem cá, nao te esquecas.
- Eu sei meu amor, nao te preocupes, esta no forno, é so tirares e servires. Diverte-te e porta te bem!
-Obrigada tia, tu tambem! -proferiu Matilde com o seu melhor sorriso.
Pegou na escova, penteou o cabelo, e desceu as escadas em direcçao á sala de estar onde esperou.
Martim estava agora a sair de casa com a mesma segurança de á pouco. Seria hoje que iria ser o grande dia? Talvez. Em passos velozes e largos chegou rapidamente a casa de Matilde e tocou á campainha. A calma deu lugar a um enorme nervosismo..
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